Bogus Movies

Novembro 25, 2007 por Máximo García

Já pararam para pensar que o IMDb nada mais é do que um grande Orkut em escala cinematográfica? Troque pessoas “normais” por celebridades, sub-celebridades, malditos, prostitutas e wannabes e o resultado no fim será algo muito próximo. Não me importa que essas pessoas não estejam lá, de fato associadas diretamente aos seus profiles, porque, assim como no Orkut, não me interessa interagir com elas. E como no Orkut, para cada indivíduo eu tenho um rosto, um profile, um histórico e algumas fofocas. Alguns diriam que o que temos ali é algo muito pouco pessoal, superficial; mas nesse aspecto o Orkut também o é. Assim como lá, cada um só mostra de si aquilo que querem que os outros enxerguem (desconsiderando um comentário ou outro), e esse é o fator a ser observado. Se eu acreditasse em informações advindas do Orkut eu estaria até agora quebrando a cabeça tentando entender o paradoxo de Nietzsche nunca ter figurado na lista da Veja dos 10 mais vendidos em não-ficção.

Mas voltando ao assunto: já havia algum tempo que eu fazia mentalmente essa comparação, mas era a principio só besteira, uma dessas coisas que nossa mente demasiada humana sempre faz tentando encontrar padrão nas coisas; ajeitar um lapis numa mesa paralemente à sua borda, pisar só nos azulejos pretos pulando os demais, ver simbolos satânicos em veios de madeira, e tal e coisa. Mas semana passada observei algo que me fez desenvolver uma teoria que provaria de vez tal fenômeno. Ou talvez não.

Anualmente eu desenvolvo listas de filmes e livros pra consumo. No caso dos filmes basicamente eles seguem quatro categorias:

A – Filmes que necessitam O MOOD
B – Filmes subversivos ou experimentais
C
– Filmes que sabemos que existem, sabemos os atores envolvidos, sabemos a história, sabemos até mesmo o final, mas ver mesmo, nunca vimos
D – Filmes popularmente bem cotados

O último ítem é basicamente composto de nomes apanhados em sites especializados e em grande parte filmes garimpados nas referências e fóruns do IMDb. Com o ano chegando ao fim e boa parte da meta concluída, me deparei com a relação de filmes restantes. Havia na lateral do nome de um deles um pequeno sinal que marquei na ocasião, coisa que sempre faço para me lembrar de alguma coisa. Infelizmente não é um metodo muito interessante já que no prazo de 2 semanas qualquer anotação que eu faça para mim mesmo não faz mais o menor sentido, mas me chamou atenção e fui então atrás do título. O suposto filme em questão chama-se Daymaker.

Faça um teste: procure sobre esse filme no Google.

Estranho, hein?

Agora vá ao seu profile no IMDb e note:

1 – O filme é bem cotado e tem críticas escritas na sua página no IMDb. Mas se você for atrás de cada um daqueles que as escreveram verá que todos eles escreveram apenas uma (esta) crítica. Algo que não condiz com o comportamento de um cinéfilo (sendo este um filme alternativo) nem de um resenhista médio do IMDb.

2 – Na lista de casting alguns atores possuem fotos e outros não. Quem usa o IMDb com frequencia sabe que apenas os atores que atingiram algum grau de importancia – seja por talento, por sorte, pouco uso de roupas ou muito uso de álcool – tem um thumb de sua cara representando-o por default. Em quase a totalidade do casting, os atores (com e sem thumb) constam com apenas um trabalho no currículo, inclusive o diretor.

3 – Existe um prêmio ganho pelo filme. Um tal de “Cleveland Indie Gathering Award“. Procurem por. Vejam seu site. A útima vez que eu vi um site assim, as pessoas nas ruas ostentavam grandes esculturas laqueadas no alto de suas cabeças e usavam ombreiras em blazers coloridos com as mangas arregaçadas sem qualquer sinal de culpa. Observem também os nomes não menos obscuros dos outros agraciados com o tal prêmio.

4 – Reparem a insana quantidade e variedade de plot keywords sobre o filme. Nem filmes famosos por dialogos constantes como The Breakfast Club ou Before Sunrise tem tantas e tão variadas. A menos que o plot do filme seja a história de um grande bingo de alfabetização para adultos esquizofrênicos, esse é um dado no mínimo estranho.

5 – Vejam a “capa” do filme. Foto tirada em uma câmera 1.3 megapixels, com flash e uma photoshopagem safada.

daymaker_cover.jpg
“Ah, ok.”

E agora diga: essas são ou não são caracteristicas típicas de um profile falso no Orkut?

SINISTRO HEIN.

Que roteiro?

Novembro 13, 2007 por Máximo García

Alguém esperava por essa recente greve dos roteiristas? Engraçado porque há coisa de uma semana eu conversava com um amigo exatamente a respeito disso. O tópico se encerra com esse ato: sim, eles existem mesmo. “Faço piquetes, logo existo”, porque pelo pensar eles ainda andam me levando a crer que são lenda.

É verdade que não tenho acompanhado tanto os atuais seriados como gostaria de ter tempo, mas a supor pelo plot do que tenho visto e ouvido, eu apostava na teoria do “Saco das Palavras”. Com um saco cheio de personagens, um outro de verbos e mais um de “coisas que já aconteceram em outros roteiros” você pode mágica e rapidamente montar qualquer script no estilo dos anos correntes.

- Falaí Phil.

- Opa.

- Roteiro?

- Tá na mão, chefe.
Coloca sobre a mesa o donut que comia, chupa a ponta de cada um dos dedos que o segurava, limpa as sobras na camisa. Tira debaixo da mesa três grandes sacos de pano, sorteia e retira de cada um deles um papel e lê:

- “Personagem coadjuvante”.

- Sim.

- “Dormir”.

- Ok.

- “Uma coruja branca surge em sua janela com uma mensagem revelando que ele é um bruxo”.

- Certo.

- Bom, então é isso chefe. Lana dorme, tem sonhos loucos e descobre que é na verdade uma bruxa. Vamos deixar de fora essa coisa da coruja na janela. Pra não ficar muito over, né?

- Genial, vou lá filmar.

- Quer que passe a limpo? (Tira um guardanapo transparente de gordura de dentro de uma caixa colorida de donuts)

- Não, tá sussa. A idéia tá aí, vou só dar uma pirada em cima.

- É nóis.

clark_dances.jpg
“I think I need more cowbell”

E assim nasceu mais um dos atuais episódios esquizofrênicos de Smallville. Uma aula do que se fazer pra estragar uma série e detonar uma boa idéia inicial. E por falar nisso, aparentemente o saco “Coisas que já aconteceram em outros roteiros” foi trocado pelo saco “Coisas que já aconteceram no Arquivo X”. Quando alguém por ali acordar e tiver acesso a qualquer gibi do Superman vai ser uma loucura.

Nos casos dos seriados policiais basta você adicionar os sacos “Vítima” e “Plot twist”. No caso de Law & Order, favor adicionar o saco “Tema Controverso“, no caso do Supernatural o saco “Lendas Urbanas”.

Falando nisso, e Heroes? Pelo amor de Deus, alguém tem visto os episódios da segunda temporada de Heroes? Que história ridícula é aquela? O que são aqueles novos personagens? Que poderes são aqueles!? É realmente possível acreditar que existem cérebros por trás daquilo?

- Bom, creio que todos aqui concordamos que para esse segundo ano da série é importante que criemos novos personagens, dessa forma garantimos a permanencia da série, nossos empregos e um campo fértil para oportunudades de merchandising da qual poderemos tentar sugar recursos no futuro. Então, quem começa?

(Silêncio)

- Vamos lá, gente. Digam alguma coisa. Qualquer coisa. Estamos aqui para discutir, não vamos podar nossas idéias.”

- Bem… eu pensei em um casal de gêmeos, sabe? Eles teriam poderes conjuntos, e a…

- Ah que original. Eles se transformariam em animais e coisas feitas de água unindo as falanges de seus dedos e berrando frases de comando, não é?

- N…não! Claro que não! Nada a ver! Eles seriam… ahn…

- Seriam…?

- …guatemal…tecos.

- Guatemaltecos?

- …é, e… ahn… a garota teria o poder de… ahn… chorar… ahn… preto.

- Ok, muito bom, estou anotando. “Guatemaltecos”. “Chorando preto”.

- É. E… tipo… quando ela chora… todo mundo ao redor… ahn…

- Morre loucamente.

- Isso!! Morre. E… o irmão…

- Eu saquei! E o irmão é tipo o ying do yang dela, certo? Ele reverte os poderes dela. Ela é o sofrimento e ele a cura!

- Bom, eu ia dizer que o irmão transforma os objetos que toca em macarrão, mas ok, isso também é bacana.

- Fantástico! Genial! Deus, estamos quentes! Essa temporada vai ser a melhor de todas! Esperem, vou tirar a minha calça e subir em cima da mesa, estou muito louco.

heroes-maya.jpg
“to chorano petróleo hein”

Algo que pra mim é fato estabelecido é que as melhores séries já escritas foram produzidas e/ou dirigidas por seus escritores. Se não como roteiristas integrais ao menos principais; Seinfeld, Twin Peaks, Twilight Zone, The Sopranos, mais recentemente Lost, só para citar alguns. Em casos como estes, as séries estão, se não totalmente ao menos parcialmente protegidas de eventos desta natureza.

Que cada um busque aquilo que se acha no direito de obter, mas ainda sou da opinião de que se os roteiristas querem ganhar com os lucros posteriores a série, a contrapartida deles deveria ser a de se comprometerem com uma parcela de seus prejuízos em caso de fracasso. Essa é uma lei básica de mercado.

Apesar de tudo, acredito que sejam profissionais considerados (e realmente, boa parte deles são muito capacitados) e provavelmente a industria encontrará um termo de satisfazê-la. Mas ainda sustento que a hora é perfeita para caça de novos talentos e cortes das cabeças desnecessárias. Até porque, parece que não farão muita falta àqueles que as perderem.

OBEDECE LA MORSA!

Novembro 8, 2007 por Máximo García

OBEDECE?

Grindhouse ou “O dia em que Quentin Tarantino comeu cocô”

Novembro 4, 2007 por Máximo García

Sabe quando você está numa festa, num local público e então uma pessoa começa a contar uma piada e de repente você nota que o que ela está fazendo é na verdade reproduzir o material de algum sitcom ou filme? Você reconhece aquela piada e nota: não feliz em se apropriar da piada, o figura ainda toma a liberdade de injetar aqui e ali “elementos pessoais hilariantes” e “sub-piadas” para deixar a coisa toda mais autoral e supostamente mais engraçada.
Você olha às pessoas em volta, todas riem a perder o ar e é então que sobe aquele infame e típico comentario:

Ai, Orlando..! Só você mesmo, viu!“.

Foi mais ou menos essa a sensação que eu tive ao ver os dois filmes da antologia Grindhouse.

O filme dirigido pelo Rodriguez (Planet Terror) é pretensiosíssimo, carregado, mas chega a divertir em alguns momentos. Mas o filme do Tarantino (Death Proof), Jesus Cristo. Quando vejo um filme dessa qualidade sempre fico tentando imaginar uma pessoa com um roteiro desses em mãos tendo que explicar sua viabilidade a uma junta de executivos, e o investidor dizendo “Hum. Isso pode dar certo, hein?”. Nessa minha imaginação o investidor sempre está usando calças curtas, um boné de cores cítricas com uma pequena hélice em cima, segurando um pirulito duas vezes maior do que seu rosto.

A coisa foi tão séria que depois que me recuperei do ataque de atonicidade, me levantei num torpor tal que fui correndo consertar a pia do banheiro que estava a dois meses vazando. A sensação de perda de tempo foi tão grande que eu precisava reestabelecer o equilibrio das coisas realizando algo de muito útil naquele dia.

Sobre o filme em si, só digo mais depois.
Numa hora em que menos palavras de baixo calão me ocorrerem pra descrever tal obra.

tarantino.jpg
apavorei véi

¡Holla mundo!

Outubro 10, 2007 por Máximo García

E aí eu desenhei, pintei, layoutei, estruturei e punhetei todo o design do meu blog. Abri minha conta e foi então que eu descobri que o WordPress não aceita templates customizados.

Toma essa.

A tag safada aí em cima é para eu não sentir que a coisa toda foi inútil. Ela fere de uma forma tão eficiente tudo aquilo que entendo por ideal estético que estou até com vontade de agredir pessoas e atirar objetos ao chão. Mas como foi por falta de planejamento que tudo isso aconteceu, vou tentar aplica-lo nesta hora. Um sentimento por vez. Por ora, ferirei meu ideal estético em detrimento ao meu laço sentimental às minhas horas de trabalho perdidas.

Mas que gran principio.